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Prioridades

Alta na conta de luz, apagão, alta de juros, impostos, combustíveis e inflação. Era sobre isso que eu falava em outubro do ano passado, enquanto era chamada de reacionária, egoísta e insensível por achar que a prioridade não era a discussão sobre o casamento gay, aborto, legalização da maconha, meio ambiente e ciclofaixa.

Por mais que a presidente e candidata se esforçasse para maquiar dados e adiasse medidas que deveriam ser tomadas no ano de 2014 unicamente para se reeleger, era bastante óbvio que tudo isso  aconteceria caso fosse reeleita. O 60% no aumento da conta de luz é para cobrar a medida populista de baixar a energia tomada no primeiro governo. O racionamento é resultado do investimento nulo no setor por 12 anos. A alta de juros e de impostos, bom, vem para cobrir o orçamento. E como cortar gastos da máquina do Estado não está em questão para a presidente, que se aumente os impostos e que o contribuinte pague. O aumento na tributação sobre importações, esse pode colocar na cota de ideologia da presidente.

Os reflexos das medidas são como uma reação em cadeia onde não há início e nem fim. Era caro em 2010 manter uma empresa no Brasil. Com juros, impostos, luz, combustíveis subindo, torna-se quase inviável. Muitas empresas foram embora logo após a reeleição porque sabiam o que aconteceria. Com empresas fechando, pessoas perdem emprego e param de consumir, e assim, mais empresas fecham. Empresas nesse contexto é a lojinha de armarinho na esquina de casa ou a montadora de carros no ABC paulista. Essas, especialmente, ainda terão que arcar com o aumento do IPI, ou seja, as vendas cairão nas concessionárias, a fábrica não terá motivo para produzir mais carros e demitirá funcionários, como já aconteceu e causou revolta. Como se não bastasse o desemprego para frear o consumo, ainda tem a inflação e a alta de juros. Então mesmo os que não perderem seus empregos irão consumir menos. E mais empresas fecharão e mais pessoas ficarão desempregadas, o consumo irá diminuir e não tem fim, como eu disse. Pelo menos não com o mesmo tipo de política econômica danosa que o Brasil adota há 12 anos.

Era isso que queria discutir naquela época ao invés de casamento gay, aborto, legalização da maconha, meio ambiente e ciclofaixa. Não por não ligar para direitos individuais. Eu ligo, mas achava que talvez fosse mais importante garantir que haveria uma saída que não fosse a de piorar a recessão que estávamos. Não queria passar por tempos difíceis e nem que gays, negros, mulheres, jovens, ciclistas, pessoas que recebem o Bolsa-Família, nordestinos e jovens da periferia passassem também. Por mais diferente que sejam nossas necessidades individuais, todos precisamos ter empregos e salários que tenham de fato valor. Agora está feito. Claro que há possibilidade de um dia sairmos da crise e com a economia andando sozinha, poderemos focar em outros assuntos. Só precisamos esperar 3 anos e 11 meses para escolhermos mais uma vez.

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